Skip to content

O que é tão difícil em ser mulher hoje em dia?

3 passos para tornar essa jornada de viver num corpo de mulher menos sofrida e mais feliz

Tem dilemas que vão passando de geração em geração, que não distinguem idade, classe social ou local de moradia, que podem estar mais presente na vida de umas do que de outras, mas que habitam o espírito coletivo feminino de forma universal. A relação com o próprio corpo é um desses dilemas. Seja pela questão com a aparência, seja na vivência com o ciclo menstrual e fertilidade, seja nos limites que o corpo nos coloca para realizar o que gostaríamos na vida, de uma forma ou de outra, em algum momento, passamos por esse desconforto de se sentir presa em um corpo na qual não nos sentimos satisfeitas.

Já compartilhei aqui várias vezes o quanto a minha relação com meu corpo já foi tempestuosa em cada um desses pontos, e como até hoje ainda vivo vários desses dilemas. Como que, apesar de meu peso ter estabilizado, e eu estar na forma que considero a minha melhor versão, as espinhas ainda me fazem me olhar torto para o espelho, volta e meia. Como que, apesar de ter tirado o sofrimento com a TPM da minha rotina, meu ciclo menstrual às vezes ainda parecer me pregar peças. Como que, apesar de me sentir com muito mais disposição e energia, nem sempre meu corpo acompanha o ritmo que quero ou preciso seguir.

Tenho passado meus últimos cinco anos, buscando de forma incansável as melhores soluções para me ajudar a entender e aceitar os ovários, útero e vagina com que nasci, e como eles influenciam como me sinto física e emocionalmente, e como usá-los da melhor forma. E foi nessa busca particular que comecei a entender meus dilemas são de muitas, mundo afora.

Já foi tão mais difícil ser mulher no passado, e, ainda hoje, muitas mulheres vivem essa relação com o corpo a partir de regras duras e violentas, precisando se esconder, passar por mutilações e violações, ou nem serem donas do próprio corpo, enquanto outras parecem ainda viver da forma mais natural e intocada pela dita “civilização”, que parecem ser muito mais livres e felizes do que nós, mulheres ocidentais contemporâneas, com condição financeira e estilo de vida relativamente confortáveis.

Então, por que, mesmo com essa aparente evolução de como a mulher se coloca nessa sociedade, ainda é tão difícil ser mulher hoje em dia? Conversei com muitas mulheres e meninas sobre essas questões, e estou chegando à conclusão que,

apesar de mais conscientes sobre nosso papel no mundo, e sobre como os outros nos enxergam e nos tratam, ainda vivemos a partir de certas regras de como devemos agir por sermos mulheres.

Body image

Já parou para observar o quanto somos incentivadas a criticar o nosso corpo, e o das demais mulheres?

A começar pela nossa aparência. O quanto precisamos parecer outra coisa que não é o que somos quando nos olhamos sem roupas ou maquiagem no espelho. Qualquer uma de nós, até as modelos que saem nas revistas. O quanto que essas regras nos levam a comer de uma certa forma (desde fazer dieta restritiva até sentir-se inadequada ao comer muito), a passar por procedimentos dolorosos/caros/demorados (desde a manicure até a cirurgia plástica, e tudo o mais no meio desse caminho), ou a se torturar emocionalmente (desde a autocrítica na intimidade do espelho, até a se menosprezar na frente dos outros).

E continua com nosso ciclo menstrual. O quanto precisamos parecer outra coisa que não é o que somos quando passamos por cada fase desse ciclo. Qualquer uma de nós, até as mulheres que, aparentemente, tem isso bem resolvido. O quanto que somos criticadas por homens e mulheres por passarmos pela TPM (desde as piadinhas [nada] inocentes até o bullying pesado pelo pai/irmão/companheiro/chefe/colega de trabalho/amigo ou versão feminina desse papéis), por nossa fertilidade (desde o terrorismo do “você não pode ficar grávida jovem, pois isso vai arruinar sua vida”, passando pelo anticoncepcional como “única forma de controlar sua fertilidade”, até pelas críticas pesadas de não conseguir ou não querer ter filhos), ou por não funcionarmos do mesmo jeito todos os dias do mês (desde a mudança do nosso nível de energia, até do humor em cada fase).

O quanto isso tudo impacta nossa saúde, nossa autoestima, em como a gente se sente capaz de realizar as coisas no dia-a-dia, e até realizar os projetos que imagina na vida, e até nossa capacidade de sonhar além.

Muitas de nós pode não perceber, mas toda essa artilharia pesada tem um impacto extremamente profundo em como a gente se sente por ter nascido mulher, desde que fomos geradas no útero da nossa mãe, até o nosso último dia na face da Terra.

E aí, fazer o quê, diante disso tudo? Tem alguns passos que podemos dar para nos libertar do sofrimento que tudo isso nos causa, de forma direta ou indireta.

Temos que aprender a contar umas com as outras, a sermos companheiras, e nos incentivar a amarmos a nós mesmas e umas às outras.

1) Tomar a responsabilidade de mudar cada uma dessas coisas em si. Sim, você tem responsabilidade em como o mundo te trata. Não adianta só posar de vítima, e achar que os outros é quem tem que mudar, nem de revoltadinha, e achar que você vai forçar alguém a te tratar de forma diferente. A chave dessa história toda está em como você se trata. Você tem desprezo por alguma parte do seu corpo? Tem raiva de ter TPM? Fica reclamando porque fica sonolenta durante um momento do dia ou do ciclo menstrual? Que tal se tratar de forma mais gentil e amorosa, observando quais são as coisas que causam esses sentimentos negativos virem à tona? A única pessoa que você pode mudar a atitude é você mesma. E como você se trata é espelhado em como as pessoas te tratam.

2) Buscar suporte, principalmente de outras mulheres. Procure por aquela amiga que te encoraja, por um grupo de mulheres que conversam sem julgamento sobre as suas experiências, por uma profissional que oriente você a como aceitar a si mesma, e cultivar bons hábitos, e que te ofereça ferramentas para se desligar do que te coloca para baixo. Construa e cultive um sistema de suporte que você possa contar, com pessoas que incentivam você a viver cada vez mais como você é, e não o que os outros esperam de você. Use constantemente esse suporte, nos bons e maus momentos. Compartilhar é uma as armas mais importantes para minimizarmos nosso sofrimento e solidão nesses casos.

3) Honre as mulheres da sua vida. Todas elas agem de alguma forma que não gostaríamos de ser. Mas também agem de diversas formas que nos orgulhamos de ser ou que gostaríamos de ser. De que forma sua mãe, avós, irmãs, tias, primas, amigas te ensinam a como ser mulher? Quais as características femininas ou comportamentos que você gostaria de começar a ter ou de perpetuar em sua vida? Coloque seu foco não no que pensa ser ruim, mas no que admira nas mulheres que fazem parte da sua vida, e inspire-se nelas para você encontrar sua própria versão do que é ser mulher.

Reflexão da semana: Qual dos itens acima você tem agido menos atualmente?

Ação da semana: De acordo com o item escolhido na pergunta acima, pense em uma ação que você pode fazer na próxima semana para te ajudar a estar mais em conexão com seu corpo e aceitá-lo como é, e compartilhe

Inspiração da semana: Eve Ensler ficou famosa por seu “Monólogos da Vagina”, e compartilhar aqui sua experiência tanto com as mulheres cosmopolitas, quanto com as mulheres de vilarejos distantes, e chegou a algumas ótimas conclusões sobre o que é “felicidade no corpo e alma” sob a perspectiva de sermos mulheres.

“..nos últimos oito anos, dessa jornada, essa jornada milagrosa da vagina, ela me ensinou uma coisa muito simples, que é que felicidade existe na ação; ela existe em contar a verdade e dizer o que a sua verdade é; e ela existe em dar o que você mais quer.”

Imagens:women.smokefree.gov/maryhallfreedomhouse.org/livehappy.com
Anúncios
%d bloggers like this: